Talvez seja uma tarefa ingrata para os detectores de spam, mas pontualmente lá chega à inbox um email proveniente de alguma associação católica.
São invariavelmente manhosos e, por princípio, ofensivos e de legalidade duvidosa, uma vez que não solicitei lições de (suposta) moral a nenhuma associação, tampouco powerpoints a esfregarem-me as suas doutrinas.
Assim, estes emails encaixam na perfeita definição de spam.
Os temas abordados nestas missivas são, em geral, os ditos temas “fracturantes” da nossa sociedade como a eutanásia, o aborto (tantos emails destes que eu recebi), o casamento entre homossexuais.
O último a ir parar à minha caixa de correio debruçava-se sobre o casamento por parte de casais homosseuxais e apresentava-se com o sugestivo título: “PODE APAGAR ESTE EMAIL… se é indiferente aos direitos das crianças a entregar a «casais homossexuais”.
Realmente não sou indiferente, sou a favor, não só por casais homossexuais como por pessoas solteiras.
O remetente pretende convencer-me a enviar cartas ao presidente da minha junta de freguesia e ao presidente da minha câmara municipal, para que estes façam pressão a que se realize um referendo sobre o assunto, crendo que o poder autárquico é mais puro e está em maior sintonia com os ideais do povo, entenda-se com os ideais de quem escreveu o email, do que o poder legitimado à Assembleia da República, instituição responsável pela legislação do nosso país. Lê-se:
Encara-se portanto a possibilidade de aumentar o espectro de famílias elegíveis a adoptar uma criança abandonada/orfã como um ataque directo aos direitos das crianças, direitos esses que estes senhores arrogam-se ao direito, perdoem-me o pleonasmo, de pretensamente defender.
Não se encara, infelizmente, o abandono de crianças por pais biológicos, forçosamente heterossexuais, como um ataque aos direitos das crianças.
Não se deve usar preservativo, deveria ser proibida a interrupção voluntária da gravidez, os homossexuais não deviam poder casar-se quanto mais poder adoptar filhos, esses paneleiros!
Deixem-se os enjeitados numa qualquer instituição para que se possa exercer a providencial caridadezinha.
O email prossegue com uma lista de referências a opiniões expressas na comunicação social a favor da adopção por casais homossexuais sob o título de “breve história de uma tragédia anunciada”, terminando, qual Grande Irmão numa sessão de 2 minutos de ódio, confiante e salvador, com a frase:
Curiosa e lamentável esta mistura tacanha entre a religião católica e proibicionismo.
Termino com a épica ironia dos Monty Python:
São invariavelmente manhosos e, por princípio, ofensivos e de legalidade duvidosa, uma vez que não solicitei lições de (suposta) moral a nenhuma associação, tampouco powerpoints a esfregarem-me as suas doutrinas.
Assim, estes emails encaixam na perfeita definição de spam.
Os temas abordados nestas missivas são, em geral, os ditos temas “fracturantes” da nossa sociedade como a eutanásia, o aborto (tantos emails destes que eu recebi), o casamento entre homossexuais.
O último a ir parar à minha caixa de correio debruçava-se sobre o casamento por parte de casais homosseuxais e apresentava-se com o sugestivo título: “PODE APAGAR ESTE EMAIL… se é indiferente aos direitos das crianças a entregar a «casais homossexuais”.
Realmente não sou indiferente, sou a favor, não só por casais homossexuais como por pessoas solteiras.
O remetente pretende convencer-me a enviar cartas ao presidente da minha junta de freguesia e ao presidente da minha câmara municipal, para que estes façam pressão a que se realize um referendo sobre o assunto, crendo que o poder autárquico é mais puro e está em maior sintonia com os ideais do povo, entenda-se com os ideais de quem escreveu o email, do que o poder legitimado à Assembleia da República, instituição responsável pela legislação do nosso país. Lê-se:
Os autarcas estão mais sintonizados com o pensar e sentir do povo e, perante o seu povo, não gostarão de ser apontados como co-responsáveis pelo ataque directo aos «Direitos das Crianças» que constitui a proposta de Lei do Casamento Homossexual, já apresentada no parlamento.
Encara-se portanto a possibilidade de aumentar o espectro de famílias elegíveis a adoptar uma criança abandonada/orfã como um ataque directo aos direitos das crianças, direitos esses que estes senhores arrogam-se ao direito, perdoem-me o pleonasmo, de pretensamente defender.
Não se encara, infelizmente, o abandono de crianças por pais biológicos, forçosamente heterossexuais, como um ataque aos direitos das crianças.
Não se deve usar preservativo, deveria ser proibida a interrupção voluntária da gravidez, os homossexuais não deviam poder casar-se quanto mais poder adoptar filhos, esses paneleiros!
Deixem-se os enjeitados numa qualquer instituição para que se possa exercer a providencial caridadezinha.
O email prossegue com uma lista de referências a opiniões expressas na comunicação social a favor da adopção por casais homossexuais sob o título de “breve história de uma tragédia anunciada”, terminando, qual Grande Irmão numa sessão de 2 minutos de ódio, confiante e salvador, com a frase:
«as organizações da Igreja movimentar-se-ão» para passar a mensagem defendida pelo episcopado português, «não contra ninguém, mas em favor de uma causa», P.e Manuel Morujão – porta-voz da Conf. Episcopal Portuguesa – ao canal TVI24
Curiosa e lamentável esta mistura tacanha entre a religião católica e proibicionismo.
Termino com a épica ironia dos Monty Python:

