Episema

13 Novembro, 2009

Os pios

Talvez seja uma tarefa ingrata para os detectores de spam, mas pontualmente lá chega à inbox um email proveniente de alguma associação católica.

São invariavelmente manhosos e, por princípio, ofensivos e de legalidade duvidosa, uma vez que não solicitei lições de (suposta) moral a nenhuma associação, tampouco powerpoints a esfregarem-me as suas doutrinas.

Assim, estes emails encaixam na perfeita definição de spam.

Os temas abordados nestas missivas são, em geral, os ditos temas “fracturantes” da nossa sociedade como a eutanásia, o aborto (tantos emails destes que eu recebi), o casamento entre homossexuais.

O último a ir parar à minha caixa de correio debruçava-se sobre o casamento por parte de casais homosseuxais e apresentava-se com o sugestivo título: “PODE APAGAR ESTE EMAIL… se é indiferente aos direitos das crianças a entregar a «casais homossexuais”.


Realmente não sou indiferente, sou a favor, não só por casais homossexuais como por pessoas solteiras.

O remetente pretende convencer-me a enviar cartas ao presidente da minha junta de freguesia e ao presidente da minha câmara municipal, para que estes façam pressão a que se realize um referendo sobre o assunto, crendo que o poder autárquico é mais puro e está em maior sintonia com os ideais do povo, entenda-se com os ideais de quem escreveu o email, do que o poder legitimado à Assembleia da República, instituição responsável pela legislação do nosso país. Lê-se:

Os autarcas estão mais sintonizados com o pensar e sentir do povo e, perante o seu povo, não gostarão de ser apontados como co-responsáveis pelo ataque directo aos «Direitos das Crianças» que constitui a proposta de Lei do Casamento Homossexual, já apresentada no parlamento.

Encara-se portanto a possibilidade de aumentar o espectro de famílias elegíveis a adoptar uma criança abandonada/orfã como um ataque directo aos direitos das crianças, direitos esses que estes senhores arrogam-se ao direito, perdoem-me o pleonasmo, de pretensamente defender.

Não se encara, infelizmente, o abandono de crianças por pais biológicos, forçosamente heterossexuais, como um ataque aos direitos das crianças.

Não se deve usar preservativo, deveria ser proibida a interrupção voluntária da gravidez, os homossexuais não deviam poder casar-se quanto mais poder adoptar filhos, esses paneleiros!

Deixem-se os enjeitados numa qualquer instituição para que se possa exercer a providencial caridadezinha.

O email prossegue com uma lista de referências a opiniões expressas na comunicação social a favor da adopção por casais homossexuais sob o título de “breve história de uma tragédia anunciada”, terminando, qual Grande Irmão numa sessão de 2 minutos de ódio, confiante e salvador, com a frase:

«as organizações da Igreja movimentar-se-ão» para passar a mensagem defendida pelo episcopado português, «não contra ninguém, mas em favor de uma causa», P.e Manuel Morujão – porta-voz da Conf. Episcopal Portuguesa – ao canal TVI24

Curiosa e lamentável esta mistura tacanha entre a religião católica e proibicionismo.

Termino com a épica ironia dos Monty Python:

12 Novembro, 2009

Don't stop the music

Eu sempre disse que ela tinha boas pernas:


O efeito do piano a implodir é espectacular, mas, numa próxima, eu não me importo de ficar com ele, a sério.

11 Novembro, 2009

A verdade no confessionário

Numa altura em que a devoção à alta tecnologia é uma religião, Ben Casnocha apresenta uma interessante abordagem ao santo confessionário que é o Google.
Link.

10 Novembro, 2009

O Muro



Há 20 anos já não era preciso passar o muro de Berlim assim.
A foto foi tirada por Peter Leibing e mostra Conrad Schumann, o primeiro soldado da Alemanha de leste a escapar mesmo antes da construção do muro estar terminada, em 15 de Agosto de 1961.

Um blog nos dias que correm

Diz assim o Pedro Ribeiro no seu Dias Úteis:

Ainda não me rendi ao Twitter, cada vez me satura mais o Facebook. O blogue é um porto de abrigo, onde se respira de outra maneira. Gosto disso.

My thoughts exactly.

WiTricidade


Electricidade sem fios.
A apresentação é de Julho de 2009.
Estaremos perante um marco tecnológico?
Wow.

08 Novembro, 2009

O Lobo



No dia em que António Sérgio faleceu não escrevi nada aqui.
O mesmo se passou aquando a morte de Raul Solnado.
Não o fiz para não tornar este blog numa espécie de obituário.
Serve-me de (fraco) consolo que outros, mais dotados nas palavras, o tenham feito.
Paz às suas almas, demasiadas para um ano só.
Take care up there.

A razão que me leva a escrever este post é a emissão especial da Antena 3 dedicada justamente à memória do radialista.
É já amanhã e inicia-se pelas 19h, prolongando-se até às 2h.
Para mais informações é seguir o link.

Exit music



Que bela música encontrei eu n'A Lei Seca de Pedro Mexia.


Radiohead
Exit Music (for a film)


Wake from your sleep
The drying of your tears
Today we escape, we escape

Pack and get dressed
Before your father hears us
Before all hell breaks loose

Breathe, keep breathing
Don't lose your nerve
Breathe, keep breathing
I can't do this alone

Sing us a song
A song to keep us warm
There's such a chill, such a chill

You can laugh
A spineless laugh
We hope your rules and wisdom choke you
Now we are one in everlasting peace

We hope that you choke, that you choke
We hope that you choke, that you choke
We hope that you choke, that you choke

Absoluta maioria

E se assim for, já rendeu a maioria relativa.

Sétimo Selo

Quando Ele abriu o sétimo selo, fez-se no céu um silência de cerca de meia hora... Seguidamente, os sete anjos que tinham as sete trombetas prepararam-se para as tocar.

Bíblia, Apocalipse 8:1 e 8:6


Estes são os versículos que servem de epígrafe a esta obra de Ingmar Bergman, demasiado magnífica para que, perante o achado, eu não a partilhasse.

A narrativa segue um cruzado da Idade Média que ao regressar a casa após uma campanha é confrontado com a morte, conseguindo seduzi-la a jogar uma partida de xadrez.
Enquanto o jogo durar a morte não o ceifa e se o cruzado ganhar, a morte liberta-o.
Serve esta alegoria de mote a uma reflexão sobre a fé, a esperança e o sentido da vida.