10 maio, 2014

O episema continua no wordpress: http://episema.wordpress.com

14 abril, 2013

Quási

Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe d'asa...
Se ao menos eu permanecesse àquem...

Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num baixo mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dôr! - quási vivido...

Quási o amor, quási o triunfo e a chama,
Quási o princípio e o fim - quási a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!

De tudo houve um começo... e tudo errou...
- Ai a dôr de ser-quási, dor sem fim... -
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou...

Momentos d'alma que desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ansias que foram mas que não fixei...

Se me vagueio, encontro só indicios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sôbre os precipícios...

Num impeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...

. . . . . . . . . . . . . . .
. . . . . . . . . . . . . . .

Um pouco mais de sol - e fôra brasa,
Um pouco mais de azul - e fôra além.
Para atingir, faltou-me um golpe de aza...
Se ao menos eu permanecesse àquem...

Mário de Sá-Carneiro

07 fevereiro, 2013

Não há Jurassic Park para ninguém

O Jurassic Park é um filme especial para mim.
Vi-o quando era miúdo e imaginar a possibilidade de os dinossauros voltarem à Terra é um sonho para qualquer puto.

Pois bem, podemos tirar o dinossaurinho da chuva:

(…)the researchers calculated that DNA has a half-life of 521 years. That means that after 521 years, half of the bonds between nucleotides in the backbone of a sample would have broken; after another 521 years half of the remaining bonds would have gone; and so on.

The team predicts that even in a bone at an ideal preservation temperature of −5 ºC, effectively every bond would be destroyed after a maximum of 6.8 million years. The DNA would cease to be readable much earlier — perhaps after roughly 1.5 million years, when the remaining strands would be too short to give meaningful information.

[Link]

07 outubro, 2012

Antes de morrer

A:
A morte é uma das minhas reflexões recorrentes.
Não é mórbido, é inspirador.
Recorda-me que a minha existência é finita e assim obriga-me a pensar constantemente o que fazer com ela.

B:
Frequentemente constato que as pessoas têm mais semelhanças entre si do que diferenças, quer nas suas expectativas, quer nas suas preocupações.

Vem isto a propósito de uma ideia da artista plástica Candy Chang que transformou uma das paredes da fachada de uma casa devoluta num gigantesco quadro de ardósia.
Esse quadro tinha uma série de entradas iniciadas por: “Before I die I want to ______”, convidando as pessoas que por ali passassem a completar a frase.
A ardósia original está em Nova Orleães, mas outras se seguiram um pouco por todo o mundo.
Na internet fez-se um site com a mesma ideia, www.beforeidie.cc

Seguindo a ideia original, tenho direito a preencher uma entrada neste quadro virtual.
Apenas uma.
Não sei o que escrever.
Quem já lá escreveu, escreveu por todos.
AB é uma semi-recta.

17 setembro, 2012

14 setembro, 2012

The dock is dead

Há 2 dias houve uma apresentação da Apple.
Novos iPhone, novos iPod, tudo muito bem e muito bonito e tudo muito bem dissecado por essa Internet fora.

Retive duas coisas:

1. A ideia do novo iPhone alargar o espectro de frequências sonoras numa chamada para que o som não se pareça tanto com… uma chamada telefónica, mas com o som de uma pessoa a falar connosco ao nosso lado. Neat!

2. O fim da dock de 30 pinos! Não mais aquela coisa feia e desajeitada para carregar e transferir dados para iPhones, iPods, iPads, iSeiLaMaisQue!
E é justamente este último ponto que me fez escrever este post, já que, a propósito desse acontecimento, houve quem ficasse particularmente entusiasmado e tivesse feito o seguinte vídeo:

[Vídeo]

21 julho, 2012

Journey

Há coisa de 2 meses, um amigo mostrou-me um excerto da banda-sonora de um jogo:

[Audio]

Fiquei interessado e fui ouvir o resto da banda-sonora. Adorei!
Fui à procura do trailer do jogo e deparei-me com isto:

[Vídeo]

Tinha de o jogar!
Pois bem, é o melhor jogo que já joguei, se é que o podemos classificar como um jogo, já que não se “morre”, não há “vidas”, não há “boss”, entre outras características clássicas dos jogos.

O conceito é desconcertantemente simples: controlamos uma figura humana coberta por uma túnica — sem nome, sem história, um vulto — que se prepara para iniciar uma caminhada, com ponto de partida num deserto, em direcção ao cume de uma montanha.
Está bom de se ver que esta viagem é metafórica.

A simplicidade mantem-se ao longo de toda a caminhada.
Não se lê, nem se ouve, uma única palavra, mas há uma história.

No caminho encontramos outro vulto que, como nós, é um jogador anónimo e com o qual só podemos comunicar por intermédio de uma nota música aleatória. Apesar disso, a sua companhia torna-nos a travessia mais fácil, ora porque vamos descobrindo e partilhando o caminho, ora porque a sua presença permite que o nosso vulto recarregue energias para poder saltar durante mais tempo — de resto, a outra única acção que nos é permitida fazer.

Mesmo com estas limitações de comunicação com a outra pessoa que está a jogar connosco, é inevitável a ligação que se estabelece.
Como exemplo, da primeira vez que joguei este jogo, ao passar por uma etapa mais sombria da viagem, o ambiente ficou tão escuro que não conseguia encontrar o caminho para a frente e foi graças à camaradagem do outro jogador, que voltou para trás para me ajudar, que me foi possível descobrir uma maneira de sair daquele lugar.
As palavras “no man is an island” de John Donne esbofetearam-me repetidas vezes.

Journey é visualmente maravilhoso, tem uma banda sonora deslumbrante e em 1 hora e meia de jogo os arrepios são muitos perante a sua beleza, resultado de um empenho e cuidado na sua criação que me levam a descobrir novos pormenores de cada vez que o jogo e que esbatem as fronteiras entre os jogos e a arte, seja lá o que isso for.

20 julho, 2012

Reflexões sobre isto de ter um blog

Em Julho de 2005, quando o Episema começou, havia a moda dos blogs.
Eu, que já tinha andado a brincar aos sites em experiências anteriores, resolvi experimentar a moda e achei que isto de ter um blog era uma forma simples e simpática de ter um outdoor (ainda que pequenito) na auto-estrada da informação — que imagem simultaneamente tão poética e pirosa. Pirósica, portanto.
As modas são como… as modas, são bichos que vão e vêm, mas o Episema até que acabou por ficar.

Ao longo dos seus 7 anos o blog foi mudando a par do seu escrevinhador.
Se a memória não me falha, começou por ser uma espécie de diário público dos assuntos que me interessavam e em que me envolvia.
Depois, num gesto de cidadania, foi soldado na batalha contra a “refundação do ensino artístico” para, de seguida, e mantendo o embalo, passar por uma fase de opinião política.
Mais recentemente, regressou ao modelo de diário público, mas agora numa dinâmica “morto-vivo”, tendo em conta o número de posts aqui escritos. Uma antecipação à moda actual dos zombies, de resto.

Escrever e manter um blog pessoal tem de ser um prazer e, para ser um prazer, tenho de escrever sobre o que me interessa.
Naturalmente, há alturas em que me apetece mais sentar-me à frente do editor de texto do que outras, mas a vontade de manter o Episema mantém-se, mesmo com os adventos dos Facebooks e Twitters desta vida.
Um blog é diferente. É mais caseirinho. É mais meu e de quem cá vem.

Venham mais 7 anos, agora com domínio próprio (episema.org) e tudo!
:-)

27 janeiro, 2012

Explicação do PL 118

Tinha pensado escrever um texto, meio de opinião, meio informativo, sobre o Projecto de Lei 118.
Felizmente, encontrei um post da Maria João Nogueira que me poupa bastante trabalho.

Portanto, ressalve-se que este projecto lei não está apontado à pirataria, mas à cópia legal para uso privado, i.e. uma cópia de um CD comprado por mim e importado para o meu computador para meu uso pessoal que, caso este projecto avance, será taxada indirectamente cada vez que comprar um disco rígido, ou uma pen, ou um cd virgem, entre outros suportes.

Assim sendo, obviamente, discordo desta proposta.

19 janeiro, 2012

Apple e a educação

Sobre a apresentação de hoje da Apple, uma palavra: lindo.
Sobretudo porque as ferramentas apresentadas são gratuitas, assim como muitos dos conteúdos.

[Link]

Em nome do amor puro

"Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas.Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber.
Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo. O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão.
Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e é mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões.
O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática.
O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço.
Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, banançides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas.
Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra.
O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental".
Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos.
Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade.
Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo.
O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. é uma questão de azar.
O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra.
A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina.
O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima.
O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente.
O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.
O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessýria. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser.
O amor é uma coisa, a vida é outra.
A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.
Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz.
Não se pode ceder. Não se pode resistir.
A vida é uma coisa, o amor é outra.
A vida dura a Vida inteira, o amor não.
Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também."

Miguel Esteves Cardoso



Li este texto pela primeira vez há quase 6 anos.
Hoje calhou relê-lo e está como o vinho do Porto.

01 janeiro, 2012

2011

Foi um ano montanha-russa.
De perdas por um lado, mas de crescimento e ganhos por outro.
Por ambos, foi um ano especial.

Estou cheio de vontade de desbravar 2012.
Bom ano novo para todos.
:)

30 dezembro, 2011

SAAB?

Parece que ainda há esperança!
:D

[Link]
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25 dezembro, 2011

Feliz Natal!

Um Feliz Natal para todos!

22 dezembro, 2011

Apresentação dos 'Apóstolos'

É hoje apresentado na Fnac do Colombo, pelas 18h, o mais recente CD do Coro Gregoriano de Lisboa e o último sob direcção de Maria Helena Pires de Matos.

[Link]

20 dezembro, 2011

Top Gear sobre a SAAB

Most of all, let's remember Saab - independent, weird little Saab - for its bloody-minded desire to be wilfully different, often, seemingly, for the sheer sake of it: sticking with two-stroke engines when the rest of the world had gone four-stroke, pioneering safety and turbocharging technology, daft lights, freewheeling clutches, even inventing the 4x4 system in the new Fiat Panda...

[Link]
[Link, também do Top Gear, com um breve resumo da história recente da SAAB]

SAAB

The owner of Saab Automobile finally threw in the towel Monday, filing for bankruptcy after hopes of a life-saving investment from Chinese investors collapsed in the face of opposition from General Motors.

A General Motors, depois de ter comprado a SAAB e de a ter desvirtuado produzindo 'Opeis' na forma de SAAABs recauchutados, impede agora a salvação da marca, atirando-a para a falência e mais de 3000 mil trabalhadores para o desemprego.
Note to self, nunca comprar um carro da General Motors.

[Link]

14 dezembro, 2011

E o prémio sinceridade vai para:

Daniel Craig e sua resposta a uma pergunta sobre 'Quantum of Solace'!
Q: It seems that the script is sometimes an after-thought on huge productions.
A: ‘Yes and you swear that you’ll never get involved with shit like that, and it happens. On “Quantum”, we were fucked. We had the bare bones of a script and then there was a writers’ strike and there was nothing we could do. We couldn’t employ a writer to finish it. I say to myself, “Never again”, but who knows? There was me trying to rewrite scenes — and a writer I am not.’

Entrevista completa na Time Out London.
Via Daring Fireball.