21 julho, 2012

Journey

Há coisa de 2 meses, um amigo mostrou-me um excerto da banda-sonora de um jogo:

[Audio]

Fiquei interessado e fui ouvir o resto da banda-sonora. Adorei!
Fui à procura do trailer do jogo e deparei-me com isto:

[Vídeo]

Tinha de o jogar!
Pois bem, é o melhor jogo que já joguei, se é que o podemos classificar como um jogo, já que não se “morre”, não há “vidas”, não há “boss”, entre outras características clássicas dos jogos.

O conceito é desconcertantemente simples: controlamos uma figura humana coberta por uma túnica — sem nome, sem história, um vulto — que se prepara para iniciar uma caminhada, com ponto de partida num deserto, em direcção ao cume de uma montanha.
Está bom de se ver que esta viagem é metafórica.

A simplicidade mantem-se ao longo de toda a caminhada.
Não se lê, nem se ouve, uma única palavra, mas há uma história.

No caminho encontramos outro vulto que, como nós, é um jogador anónimo e com o qual só podemos comunicar por intermédio de uma nota música aleatória. Apesar disso, a sua companhia torna-nos a travessia mais fácil, ora porque vamos descobrindo e partilhando o caminho, ora porque a sua presença permite que o nosso vulto recarregue energias para poder saltar durante mais tempo — de resto, a outra única acção que nos é permitida fazer.

Mesmo com estas limitações de comunicação com a outra pessoa que está a jogar connosco, é inevitável a ligação que se estabelece.
Como exemplo, da primeira vez que joguei este jogo, ao passar por uma etapa mais sombria da viagem, o ambiente ficou tão escuro que não conseguia encontrar o caminho para a frente e foi graças à camaradagem do outro jogador, que voltou para trás para me ajudar, que me foi possível descobrir uma maneira de sair daquele lugar.
As palavras “no man is an island” de John Donne esbofetearam-me repetidas vezes.

Journey é visualmente maravilhoso, tem uma banda sonora deslumbrante e em 1 hora e meia de jogo os arrepios são muitos perante a sua beleza, resultado de um empenho e cuidado na sua criação que me levam a descobrir novos pormenores de cada vez que o jogo e que esbatem as fronteiras entre os jogos e a arte, seja lá o que isso for.

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